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SER FELIZ
Um dia o teu caminho seguirás;
serei como a poeira que ficou pra trás;
um horizonte restará, deserto...
E eu sonharei... Ainda que desperto,
eu sonharei feliz.
Virão nuvens. E cerrarão os céus.
Virão sombras, também, cegando trilhos meus.
Fecharei a cortina, em solidão...
Esperarei como a estrela, a tua mão,
e esperarei feliz.
Minha vida vazia se fará.
A longa chuva na vidraça escorrerá.
Só o relógio a tanger na noite escura...
E morrerei. Diante à tua moldura,
eu morrerei feliz.
Antes da solidão, da hora extrema,
da sombra morta de um galho sobre o meu poema...
Ainda agora as floradas começam...
Antes mesmo que os teus olhos me peçam,
serei feliz.