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A estação chega como numa profecia:
as janelas, clareia a cidade vazia,
cheia de sol nas telhas obsoletas.
E trocam, os silêncios, confissões secretas.
Jardins se abrem à sombra das borboletas...
Doce perfume aspira a ventania.
Rente... Rente às muradas o floral radia...
Sombras harmoniosas na hora luzidia
buscam-se nas alamedas discretas.
E as mãos separam-se na tarde em tons
violetas...
Vai morrendo o crepúsculo entre as silhuetas,
quando a lua pálida se anuncia.
E uma sombra apenas, grave, fugidia,
contempla o luar matizado em raias pretas...
E chora a maldição sublime dos poetas!...